A cada 100 vítimas de homicídio no Brasil, 71 são negras, diz estudo

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Uma pesquisa revela que um brasileiro corre muito mais risco de ser vítima de violência – e de morrer assassinado – se for negro

Na pele negra, as marcas da violência. Diogo foi agredido na madrugada de quarta-feira (15). Ele conta que foi abordado por dois homens brancos, no Centro de São Paulo. Eles queriam o celular, mas Diogo fugiu.

“Eu falei eu vou correr porque no terminal eu vou encontrar proteção”, disse o ator Diogo dos Reis Cintra.

Mas os homens também entraram no terminal de ônibus e disseram que ele era o ladrão. Diogo diz que os seguranças preferiram acreditar nos outros e que todos foram colocados para fora.

“É racismo, porque eles não tiveram, eles não acreditaram em mim, e eu, assim, não acreditaram no que eu falei. E não quiseram me proteger”, revelou Diogo.

Ele levou socos, chutes, pauladas e foi mordido pelos cachorros de outros dois homens, que também participaram da agressão. Diogo se desesperou, com medo de morrer. Mas conseguiu fugir.

Não é só aqui, no Terminal Parque Dom Pedro, em São Paulo, que os negros não encontram proteção. Um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra como a população negra está mais exposta à violência no Brasil.

Os negros representam 54% da população, mas são 71% das vítimas de homicídio.

O levantamento mostrou que o abismo entre brancos e negros aumentou na última década.

Entre os mortos nos homicídios registrados de 2005 a 2015, o número de brancos caiu 12%. E o de negros, aumentou 18%.

“Nós temos um legado histórico que nunca foi enfrentado. São mais de 3 séculos de escravidão e nós nunca direcionamos, de forma efetiva e consistente, políticas públicas para tirar essa população negra, que foi escravizada por tanto tempo, dessa situação de vulnerabilidade”, afirmou Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na periferia da cidade, a mãe de Diogo está muito triste.

“Sempre ensinei todos meus filhos a não pôr a mão em nada que é dos outros, então quando eu fiquei sabendo daquilo, eu fiquei sem chão, porque eu tinha certeza que meu filho não era capaz de uma coisa daquela, sabe”, contou Maria Geralda dos Reis, mãe de Diogo.

“Não é só direito que a gente quer. A gente quer mais que direito, a gente quer respeito”, completou Diogo.

A polícia civil de São Paulo está investigando a agressão ao Diogo. O Sindicato das Empresas de Ônibus, que administra o terminal, disse que está apurando o que aconteceu para adotar as medidas necessárias em relação à empresa responsável pela vigilância.

A SPTrans, que cuida do transporte público municipal, disse que, se a agressão e o racismo forem comprovados, vai pedir o afastamento dos envolvidos.

Fonte: G1

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