Doenças do coração são as que mais matam no Brasil

0

Militar reformado, Luis da Costa, 59 anos, foi diagnosticado hipertenso há 15 anos

Órgão central do aparelho circulatório, é um músculo oco, destinado a impulsionar o sangue através dos vasos. Se comporta como uma bomba aspirante e premente. No mundo moderno uma pergunta recorrente é: o que fazer para ter um coração saudável? Sua melhor aposta é controlar a pressão arterial, o açúcar do sangue, o colesterol e triglicerídeos. 

Policial Militar reformado, Luis da Costa Silva, de 59 anos, foi diagnosticado com hipertensão há 15 anos e durante esse período já realizou uma angioplastia (procedimento cirúrgico para obstrução de uma artéria). Hoje, o aparelho de aferir a pressão fica num fácil acesso, e os remédios diários controlam os sintomas. Tudo, na tentativa de evitar novos problemas.

“Sempre estou indo ao médico, realizando exames e vigilante aos sintomas. Antes, tinha medo do que poderia enfrentar. Hoje, com o passar do tempo virou rotina. Os gastos com os medicamentos é o que pesa no bolso”, disse Luis, que esteve na última semana mais uma vez no consultório do cardiologista para uma nova consulta e avaliação de exames.

As doenças do coração são as que mais matam de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). No país, ocorrem cerca de 720 paradas cardíacas por dia e cerca de 300 mil casos ao longo do ano. Na Paraíba, 17.166 pacientes morreram em decorrência de complicações por doenças cardíacas nos últimos cinco anos.

Um outro dado preocupante é que algumas doenças cardíacas são silenciosas, e quando algum sintoma aparece pode ser tarde demais. Por isso, é tão importante o acompanhamento médico e um check-up uma vez ao ano.

De acordo com o cardiologista e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Valério Vasconcelos, “50% das pessoas não sabem que tem problemas de pressão alta. Já as que sabem, apenas 25% têm efetivamente a pressão arterial controlada”.

“O infarto muitas vezes pode ser assintomático. Ou seja, não trazer sintomas. A pessoa tem o problema no coração e não sabe os sintomas. Aparecem após um esforço físico ou uma grande emoção”, disse.

Segundo o médico, outras pessoas sentem dor no peito. “A dor no peito é o que chamamos de ‘angina ou pré-infarto’, se ela não for tratada adequadamente poderá levar a morte súbita”. Ele acrescenta que mulheres, diabéticos e idosos apresentam sintomas atípicos, por exemplo: dor no estomago e na coluna.

Morte súbita – Ocorre por causa da existência de perturbações cardiovasculares ocultas, que pode pôr em perigo a estabilidade elétrica do coração, provocando arritmias graves, como a taquicardia.

Conforme o pesquisador, o histórico familiar contribui para a confirmação do diagnóstico. “Se familiares próximos, como pais e irmãos, têm ou tiveram problemas do coração, as pessoas têm mais chances de desenvolver as mesmas doenças”, frisou Valério.

Atividade física – O cardiologista alerta que, antes de realizar qualquer atividade física, o paciente deverá ser avaliado pelo seu médico, através de exames, para avaliar cada tipo de cardiopatia, qual o tipo de exercício deve ser realizado, assim como qual a intensidade que o exercício deverá ser realizado.

“As atividades físicas trazem inúmeros benefícios. No entanto, as pessoas devem procurar orientações do médico e de um educador físico, para uma liberação. Aquelas pessoas que não têm sintomas podem fazer uma atividade física e ter uma parada cardiorrespiratória. Por isso, é importante uma avaliação cuidadosa, para em seguida ter a liberação com segurança”, orienta o cardiologista.

Número de doenças cardiovasculares aumentou entre as mulheres – Apesar de serem mais frequentes entre os homens, as doenças cardiovasculares têm aumentado consideravelmente entre o público feminino. Cerca de 40% de todos os casos de infarto agudo do miocárdio acontecem com as mulheres, contribuindo para que a mortalidade relacionada à doença seja maior entre elas.

Há uma década era um caso de doença cardiovascular nas mulheres para cada quatro ou cinco entre os homens. Hoje, essa relação é de quase um para um. Fatores como cultura e ambiente levaram ao aumento do número e da gravidade da incidência feminina. Isso se dá pelo fato de que, nos últimos anos, as mulheres adquiriram um estilo de vida mais urbano, acumulando uma série de fatores de riscos que antes eram mais comuns aos homens.

“O aumento do número de infartos se dá principalmente porque as mulheres passaram a desenvolver fatores de risco para doenças cardiovasculares semelhantes aos dos homens, tais como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, estresse, obesidade, sedentarismo. Porém, culturalmente elas se preocupam mais com outras doenças, como câncer de mama ou de ovário, e por isso não se informam sobre os problemas cardiovasculares. Elas levam os maridos ao consultório, mas não avaliam os próprios riscos”, declarou o médico Valério Vasconcelos.

Atenção à menopausa – Dr. Valério alerta para outro fator de risco que merece atenção especial, que é em relação à menopausa. Após ela, o risco de doenças cardiovasculares aumenta na população feminina por conta da perda da proteção do estrogênio, o hormônio que protege o sistema cardiovascular e diminui o risco de doenças cardiovasculares.

É justamente após a menopausa que as doenças cardíacas acometem mulheres. Porém, no decorrer dos últimos anos, o que se tem observado, com o aumento do número de doenças cardiovasculares, é que elas têm se tornado mais frequente mesmo nas mulheres mais jovens.

“O infarto agudo no miocárdio atinge mulheres acima dos 40 anos de idade e, principalmente após os 50, época da menopausa. As doenças cardiovasculares mais frequentes são o infarto e o AVC. Uma característica da doença cardiovascular, nas mulheres, é a difícil caracterização dos sintomas. As manifestações são atípicas. É conhecido que 63% das mulheres, que morrem subitamente por infarto, não apresentam sintomas prévios”, destacou o pesquisador.

Estresse e má alimentação – Ainda segundo o cardiologista Valério Vasconcelos, as pessoas estão ficando mais estressadas, acumulando uma jornada de trabalho dupla ou tripla, e têm menos tempo para a prática de atividades físicas. Além disso, estão se alimentando mais fora de casa e de forma incorreta, consumindo mais gordura de origem animal, gorduras saturadas e ricas em sódio.

“Sem o gerenciamento do estresse, o corpo está sempre em alerta máximo. Ao longo do tempo, altos níveis de estresse levam a sérios problemas de saúde, tais como: dores musculares, dores de cabeça, doenças gastrointestinais, queda de cabelo, irritação da pele, insônia, além de doenças cardiovasculares”, finalizou.

Prevenção

1- Não fume e nem use drogas

2- Tenha uma alimentação mais saudável

3- Beba água regularmente

4- Pratique atividade física orientada

5- Fique atento ao peso

6- Gerencie o estresse

7- Cheque sua pressão arterial

8- Monitore o colesterol

9- Faça, pelo menos uma vez por ano, um check-up

10 – Caso apresente dor no peito em algum momento, procure o hospital mais próximo

Fonte: PBVale

Share.