Entre a euforia do Carnaval e o marasmo dos protestos; Que povo é esse? – Por Carlos Silva

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Inegavelmente o carnaval é considerado a maior festa popular do Brasil em suas várias formas de representações artística, cultural e que atinge a todos os níveis sociais. Seja na capital do país ou nos mais distantes rincões que a geografia do nosso país abraça, tenha certeza que de alguma forma o carnaval é representado.

Diante dessa certeza, outra também é de causar estranheza, dúvidas e centenas de questionamentos, como por exemplo: Porque  esse povo todo não sai às ruas para reivindicar por saúde, educação, segurança e tantas outras coisas?

Essa é uma das questões que facilmente nos deparamos com elas nas redes sociais, simbolizadas através de imagens que fazem essa analogia sobre certa disposição para determinado evento e uma possível apatia diante do outro. Mas, diante de sua análise, esse povo está certo ou errado? Deveríamos ignorar o carnaval?

Acredito que sempre há espaço para todas as coisas, neste caso, o de respirar um pouco diante de tanta corrupção e descaso com o povo brasileiro. Mas, que sem dúvidas, nossas energias deveriam na maioria das vezes serem canalizadas não apenas em “varrer” de Brasília aquelas centenas de abutres, mas de repensarmos nossos conceitos como povo e consequentemente sujeitos em direitos e deveres, de sermos exemplo do cidadão que exigimos para nosso país.

Da euforia do carnaval

Muitos brasileiros, e estrangeiros, inclusive, aguardam ansiosamente a chegada do carnaval, seja por mera curtição ou por motivos econômicos que, apesar de também elevar o número de ações criminosas devido ao enorme fluxo de turistas nas capitais do frevo e de grandes desfiles, o setor econômico sofre um grande aquecimento, desde a rede hoteleira até o catador de latinha, dadas as suas devidas proporções.

Agora usando este espaço para defender os foliões, pergunto o que temos durante um ano geralmente difícil e de expectativas cada vez mais baixa de melhoras? o que temos durante um ano quando somos vítimas de um governo usurpador do erário público e as dezenas de vitimas diárias da violência que não faz distinção nenhuma de suas vítimas? O carnaval em meio aos destroços pode ser observado como uma válvula escape.

O marasmo dos protestos; Que povo é esse?

Essa, afirmo, ser uma questão mais difícil de ser esmiuçada. Sobretudo, pelo fato de sobrevivermos em tempos mais difíceis, em minha opinião, que em Junho de 2013, época de grandes protestos em meio a instabilidade pela qual passava o governo da então presidenta Dilma.

De lá para cá, alguns fenômenos se sucederam, mas as ruas nunca mais foram as mesmas, reitero, mesmo em tempos mais difíceis. Parece que tudo foi redirecionado para as redes sociais. Só que nós é que estamos presos nessa rede, sem saída e sem perspectiva. 

Quanto ao Que povo é esse?. Vejo um povo confuso, paciente em alguns momentos, em outros até de mais. Mas, que mesmo assim evolui, a passos lentos é verdade, dentro de seu casulo, em nossa inconsistência como nação, bravura como povo e esperando por dias melhores em meio as incertezas do amanhã. 

Carlos Silva

Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba

Da Redação/Portal Araçagi

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