Fevereiro é o prazo limite para a reforma da Previdência, diz Mansur

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Por EDUARDO BRANDÃO

Parlamentar diz que Governo tem 267 dos 308
votos necessários (Foto: Alexander Ferraz/AT)

O vice-líder do Governo na Câmara Federal, Beto Mansur (PRB-SP), calcula prazo de até 50 dias como data limite para a votação da reforma da Previdência. A pressa da base aliada ao presidente Michel Temer (PMDB) tem justificativa: a corrida eleitoral de outubro. As próximas eleições vão renovar as cadeiras de deputados federais e dois terços do Senado. 

“Se não votar em fevereiro, não acredito que as discussões vão continuar (ao longo do ano)”, afirma o deputado, que esteve neste sábado (30) em A Tribuna.

Os planos da cúpula governista são de reunir condições para aprovar as mudanças da Previdência até 19 de fevereiro. 

Para o parlamentar e ex-prefeito de Santos, quando mais o debate sobre o tema se aproximar do calendário eleitoral, menores são as chances de sua aprovação. Mansur avalia que parcela dos deputados teme perder eleitores caso apareça na imprensa como favorável à reforma. “Em ano eleitoral, fica mais difícil”.

Carro-chefe das medidas apontadas pela equipe econômica de Temer para a retomada do crescimento do País, a previsão inicial era aprovar as alterações na aposentadoria antes do recesso parlamentar – iniciado no último dia 23 e que se estende até 1º de fevereiro. O prazo foi adiado porque os governistas não conseguiram reunir os 308 votos necessários. Mansur calcula ter hoje o apoio de 267 deputados.

Desde a primeira semana de dezembro, o vice-líder do Governo tem mantido agenda constante com Temer para tratar novas estratégias referentes à aprovação da nova Previdência. “É uma mudança necessária. Não é a que queríamos fazer, mas foi a possível para aglutinar 315 a 320 deputados para votar a reforma”.

O deputado defende a estratégia de a equipe econômica da Presidência da República não mudar o texto final e manter os pontos mais polêmicos em sigilo. Mansur acredita que, a partir do instante que o teor da proposta for divulgado, novas críticas podem adiar as discussões em plenário. Desta forma, ele espera que o aperfeiçoamento das mudanças seja feito pelos deputados.

Articulação – Mansur quer retomar na próxima semana conversas com o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, para elaborar plano de ação e aumentar o números de apoiadores à proposta. Eles pretendem detalhar os anseios políticos de parlamentares em troca de votos. A ideia é angariar deputados indecisos e legendas que ainda estão rachadas sobre o tema. 

Nesse cenário, o PSDB pode ser um dos fiéis da balança. Apesar de a maioria dos deputados tucanos se mostrar contrária à reforma, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, presidente nacional do partido, adotou discurso em apoio à agenda econômica de Temer. Assim que assumiu a legenda, no começo do mês, ele defendeu que deputados do PSDB fechem questão em favor da reforma. A expectativa também é atrair o PTB, que prometeu votar com o Governo. 

Prejuízos – Pelos cálculos de Mansur, o deficit da Previdência para o próximo ano vai superar a cifra de R$ 266 bilhões – sendo R$ 184 bilhões no regime geral e R$ 82 bilhões, no modelo para os funcionários públicos. “Não sobra dinheiro para investir na Saúde, Educação, Segurança e Infraestrutura. A arrecadação do Brasil o coloca na oitava maior economia do mundo, mas não temos capacidade de investimentos”. Para ele, a reforma é “importante para estancar o deficit financeiro”. “As mudanças não vão tirar nenhum centavo do trabalhador brasileiro, mas acabar com os privilégios do serviço público”, promete.

Aposta é no centro – A polarização entre os extremos da direita e da esquerda pode abrir caminho para uma terceira via na sucessão presidencial de outubro: o centro. Esta é a análise do vice-líder do Governo na Câmara Federal, Beto Mansur (PRB-SP).

Para o deputado santista, as expectativas para a eleição de 2018 se concentram nos extremos ideológicos representados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no deputado Jair Bolsonaro (PSC). 

“A classe média brasileira vai buscar uma eleição alternativa nos candidatos de centro”. 

Mansur acredita que ao menos quatro nomes se qualificam à disputa eleitoral com o perfil mais moderado: o presidente da República, Michel Temer (PMDB), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). “Não se produz candidatos de uma hora para outra”.

Interferência da economia – Aliado e amigo de Temer, o parlamentar santista atribui ligeira vantagem ao presidente – apesar de ele patinar nas pesquisas eleitorais e de opinião sobre a sua gestão. Mansur se apoia na melhora dos indicadores financeiros. “Ele tem a característica de não ser uma figura popular, mas os resultados econômicos estão positivos. Isso ajuda na eleição”.

O deputado não acredita que o fenômeno do ‘não-político’ faça diferença nas urnas. O slogan ganhou fôlego com a vitória de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e a candidatura de João Doria (PSDB), atual prefeito de São Paulo. “Essa ideia de buscar o novo perdeu força em nível mundial”.

Fonte: A Tribuna

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