Por Jefferson Procópio – Quando se rompe a represa, o fim de um casamento

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Na política do país, realizar alianças é essencial para os partidos. Quando o sistema é totalmente disseminado, com inúmeros e distintos partidos, somente este mecanismo pode fazer um político ganhar força em um cenário de disputa para um evento eleitoral. Quase que em sua totalidade, as alianças são direcionadas aos interesses de um grupo restrito do que para as reais necessidades da população. E neste evento, onde nada vem de um bem maior, mas sim como apenas para fortalecer o candidato, causando a fraqueza de seus oponentes diretos, conforme é descrito como interesse momentâneo. E não nos iludamos, é muito normal antigos rivais políticos ¨tomar amnésia¨ das intrigas e farpas de outrora para o tão sonhado pódio do poder.

O projeto é muito bem arquitetado por seus idealizadores: os partidos de ¨maiores forças¨, arrastam líderes muito conhecidos e aprovados pela população, com o intuito de arrastar não só presidentes, governadores ou prefeitos, mas sim, deputados, senadores e vereadores, fazendo com que, consigam eleger todos os seus candidatos de forma uniforme. Porém, essas artimanhas podem não ser suficientes, devido a grande quantidade de partidos menores que arrastam votos considerados relevantes na hora do confronto direto; surgindo assim, a barganha e a negociação chamada Coligação, que visa o apoio direto.

Desta forma, este partido de maior força, articula com todos os outros, que não tem a menor condição de vencer, mas que estão ali para atacar, denegrir e até arrancar votos de tais partidos, são induzidos e convidados a juntar-se de forma coligada, ganhando apoio e vantagens, promessas de cargos em ministérios, secretarias, vice mandato, entre outras. Somando estas forças, um partido pode tornar imbatível, desde que atenda a uma infinidade de requisitos gerais: carisma, força, alianças certas, promessas, mídia, probidade, mutualidade, e por aí vai…

Porém, após as flores, vêm os espinhos! Quando o encanto acaba, não há força que o sustente…

Quando um projeto é lindo no papel, mas não é colocado em pratica após o sucesso nas urnas, um verdadeiro ¨salve-se quem puder¨ é instaurado naquelas alianças, e o pula-pula, voa-voa, abandona o barco enquanto afunda acontece da forma mais descarada possível, e a troca de farpas, acusações e até xingamentos ocorre às claras, totalmente visível, a seus eleitores (ou não), deixando cada um de nós estarrecidos com tamanha falta de decoro entre os então aliados, inferindo incertezas com o pleito em vigor, um típico ¨apaga a luz, o último a sair¨.

O primeiro problema é que está tão banalizado coligar por interesses internos, que criar legendas é sinônimo a abrir uma empresa de pequeno porte, devido a sua facilidade de criar e de destruir. São absolutamente raros os que apresentam um fundo de ideologia visando o bem maior, fruto ao qual entram nessa briga de forças. Então meus caros leitores; não se deixem levar por certos bonitinhos, simpáticos e até ¨ratos de política¨, avalie-os pelo seu potencial, seu conhecimento nas leis e de gerência e, acima de tudo, seus antecedentes políticos.

O segundo problema é seu projeto de governo. Se conhecer e entender as alianças é difícil, conhecer seus projetos é ainda mais complicado. As alianças devem existir para promover um plano de governo concreto, que, em seguida, deve ser desenvolvido e construído. A fragilidade das coalizões no governo brasileiro ficou evidente nas ultimas alianças e ficou ainda mais claro que não basta apenas unir forças para vencer as eleições, é necessário a união para colocar em prática o que foi prometido ao eleitorado e, assim, fortalecer a democracia.

 

Jefferson Procópio – Graduando em Direito com extensão em Ciência Política

 

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