Serviço Social, desfazendo velhos conceitos, saiba um pouco mais sobre esse curso e suas áreas de atuação

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Quarto texto da série “Conhecendo os cursos superiores”, Serviço Social, bem mais do que a maioria imagina, quebrando velhos paradigmas a assistente social Flora Regina esclarece o que é mito e o que é verdade nessa vasta área de conhecimento e atuação.


Bem, aos pretendentes do curso de Serviço Social, lhes dou uma dica: vocês serão os futuros problematizadores das rodas de amigos e familiares. O curso possui a tendência de estimular nossa saída da zona de conforto e despertar nossa criticidade quanto aos assuntos relacionados à sociedade e suas relações. O leque de disciplinas ofertadas nos faz entender a história da sociedade brasileira e os rumos da política nacional e internacional, esta que sempre obteve interferência em nosso país. Sendo assim, é necessário que o aluno se inteire do contexto sócio-político para uma futura intervenção profissional no território.

Brincadeiras a parte, sou Bacharel do curso de Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba, na qual passei longos 4 anos e alguns meses (devido as greves, rs)  na querida João Pessoa. O diploma de bacharel é condição legal para o exercício da profissão e requer a inscrição no Conselho Regional de Serviço Social. Quanto as opções de inserção no mercado de trabalho, são inúmeras: trabalhamos na saúde, assistência, judiciário, ONGs, habitação, previdência, entre outros.

O Serviço Social é um dos cursos mais belos que existe. Aí você me pergunta: “Serviço Social? Ah, é aquela moça que faz caridade e entrega cestas básicas não é?” NÃO MEUS QUERIDOS, não é meeeeesmo. O que explica esta visão distorcida da profissão é que nascemos num momento inicial do desenvolvimento econômico, tendo como pano de fundo o capitalismo, este que promove várias expressões da questão social (leia-se o conjunto de desigualdades), advindas deste modo de produção. O surgimento da profissão consiste no seio da Igreja Católica, por meio de ações filantrópicas/caridade (já que o Estado não intervia através de políticas públicas como temos hoje), ficando a cargo das damas da sociedade tais ações para os que necessitavam. No Brasil, só iremos ser reconhecidos como profissionais a partir da década de 1930/1940, quando o Estado finalmente passa a intervir e requisita a ação do Assistente Social para amenizar os conflitos entre as classes trabalhadora e burguesa. Por tais motivos, visões distorcidas ainda repercutem em nosso trabalho, mas estamos aqui para quebrar esses paradigmas.

Na sua atividade profissional, o Serviço Social está ao lado da classe trabalhadora e ressalta sua intervenção na luta em defesa e promoção dos direitos humanos. Temos um Código de Ética que apresenta alguns princípios fundamentais, o que inclui destacar o fim de todo tipo de PRECONCEITO e DISCRIMINAÇÃO, a defesa de um modo de sociedade alternativo ao capitalismo, defesa da democracia, entre outros.

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É um profissional que trabalha com as expressões da questão social, atuando, como dizia minha professora Cláudia, “com a parte obscura do capitalismo”. Visa garantir os direitos da população, o que não implica dizer que seja apenas os “menos favorecidos”, porém pelo fato de o Brasil haver uma distribuição de renda precária, eles são os maiores alvos dos programas sociais, por exemplo. Trabalhamos com o fortalecimento dos movimentos sociais, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e de uma sociedade livre e emancipada. Esses são nossos compromissos éticos, teóricos, políticos e profissionais. Portanto, alguns temas vistos como “polêmicos” fazem parte da bandeira de luta da categoria, a exemplo da defesa da liberdade, debate de gênero, questões relacionadas ao aborto, laicidade do Estado, direitos humanos, redução da maioridade penal, entre outros.

Atualmente, estou atuando na saúde, especificamente no Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), na parte da Atenção Básica, a qual tem como objetivo as ações de promoção e prevenção à saúde, inerente ao que dispõe os objetivos do SUS. Nossa equipe funciona como apoio as equipes das Unidades Básicas de Saúde, pois agrega a atuação de vários outros profissionais. Através do chamado Apoio Matricial, nos deslocamos para os diversos PSFS que compõem nosso município (atualmente 9), conscientizando e levando informações a população com menor acesso sobre determinados temas, fazendo a ponte entre o que a Política de Saúde dispõe, que visa o bem-estar e o acesso à saúde, com a oferta de especialidades à sociedade.

Enfim, espero que vocês possam compreender toda a dimensão e responsabilidade que a profissão possui, especificamente no momento atual, tão obscuro, repleto de retrocessos e cortes aos direitos sociais, conquistados a tanto suor e sangue.

Flora Regina Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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